Javari Expeditions

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O Vale do Javari

A 1136 quilômetros de Manaus no extremo oeste do estado do Amazonas, fica localizado o Município de Atalaia do Norte onde mais de 80% de suas terras abrigam a Terra Indígena Vale do Javari com mais de 8.5 milhões de hectares, é conhecida mundialmente por abrigar a maior concentração de índios isolados já registrados no mundo: Atualmente a Fundação Nacional do Índio – FUNAI, trabalha com registro de 16 etnias que vivem sem contato algum com a sociedade moderna.

Etnias

Povos Indígenas

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Kanamari

O Povo Kanamary habita áreas do médio rio Javari, alto rio Itaquaí e alto rio Jutaí, mas também ocupam outras regiões do médio rio Juruá e adjacências. Registra-se, ainda, uma Terra Indígena habitada exclusivamente pelos Kanamary, em área fronteiriça com o Vale do Javari, denominada Terra Indígena Mawetek. São falantes da língua Katukina e atualmente é a terceira maior população do Vale do Javari com cerca de 1.379 indivíduos (SIASI Local).

Principais aspectos

Localização: Alto-médio Rio Juruá, Itaquaí, Japurá, alto Solimões, Marãa e Paraná do Paricá.

Líder: Puroyá Kanamary, Arlindo Kanamary

Idioma: Falam uma língua da família linguística Katukina, com variações entre diferentes dialetos, cada vez menos acentuadas devido aos intercasamento.

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Matis

O povo Matis se diferencia das demais etnias do Vale do Javari pelos adornos faciais que os caracterizam: tatuagens em ambos os lados do rosto, o uso de conchas de caramujo fixadas em ambas as orelhas, além de pequenas setas feitas de pupunha. que são inseridas nos lábios e no nariz. Cada um desses adereços é colocado em determinada fase da vida, ou seja, de forma gradual e conforme a idade, na hierarquia interétnica. Quanto mais adereços, mais experiente ou mais velho é o indivíduo, de acordo com essa etnia. O povo Matis é falante da língua Pano, predominante no Vale do Javari. Utilizam a zarabatana como arma de caça, artefato de aproximadamente 2 metros e meio, cujo interior é oco. Para usá-las eles inserem pequenos dardos feitos com talas de palmeiras, que usam para caçar pequenos e médios animais.

Principais aspectos

Localização: Médio Ituí, alto Coari, médio Rio Branco, na afluente da margem esquerda do Itacoaí.

Líder: Txemã Matis

Idioma: A língua Matis também se origina da família linguística Pano. Embora no cotidiano da aldeia utilizem somente a língua materna, atualmente a maioria dos homens jovens falam o português, assim como algumas mulheres, o que que permite que se comuniquem em suas transações comerciais nas cidades.

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Marubo

O Povo Marubo habita as sub-regiões do alto e médio rio Ituí e alto e médio rio Curuçá, no Vale do Javari. Falantes da língua pano são considerados a segunda maior população dessa região, com cerca de 1.905 indivíduos (SIASI local). O Marubo se distingue das demais etnias pelos adereços que utiliza. Os homens e as mulheres utilizam um cordão, de várias voltas, o qual é feito de caramujo (Aruá), uma cinta larga confeccionada por pequenas placas de caramujo e/ou por placas minúsculas de semente de palmeiras da região, que variam entre o cocão, jarina ou pupunha. Homens e mulheres utilizam, também, um cordão atravessado de um lado a outro do nariz (septo nasal), confeccionado com placas minúsculas de caramujo (Aruá). O formato da aldeia é outro diferencial em relação às demais etnias. A principal habitação consiste no local onde as famílias permanecem abrigadas quase todos os dias, e contam ainda com pequenas habitações individuais localizadas nas adjacências da maloca principal. 

O povo Marubo caracteriza-se como uma das etnias que mais criou dinâmicas de contato com a sociedade nacional. Embora tenham se destacado pela busca e consumo de bens industrializados não se distanciaram de seus costumes ancestrais, e mantém vivos e resguardados seus modos de cultura e organização social. Há registros, como o mapa etno-histórico dos índios do Brasil de Curt Nimuendajú (1944), que inexplicavelmente remanesce inédito, de ocorrências nas quais os indígenas Marubo já mantinham contato com os peruanos em 1691, no período do Caucho, o qual precede o denominado “período da borracha”. O fato mais curioso nas relações entre os Marubo e os não indígenas consiste no relato que, mesmo após quatro décadas de contacto com peruanos e brasileiros, produzindo sobretudo o caucho para a troca por produtos industrializados, os Marubo voltaram à condição de índios isolados. Conforme registros, assim permaneceram por cerca de duas décadas, quando em 1952 fizeram novo contato com missionários na região do alto Ituí.

Principais aspectos

Localização: Alto Curuçá e Ituí, na Bacia do Javari.

Líder: Niwa-Wani

Idioma: Língua da família Pano. Possuem um vocabulário paralelo ritualístico que substitui palavras do uso cotidiano. A maioria dos homens mais jovens falam também o português.

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Korubo

Essa etnia tem a sexta população do Vale no Javari, com 90 pessoas, divididas em 3 aldeias. O povo Korubo, também, é considerado de "recente contato" pela FUNAI. O "subgrupo da Mayá" foi contato em 1996, o "subgrupo do Pinô" foi contatado em 2014 e o "subgrupo do Luacivó/Shushu" foi contatado em 2015. Vale ressaltar que essa quantidade de pessoas ainda é um número relativo, quando se fala do povo Korubo em si, pois existem outros subgrupos que vivem em "em isolamento voluntário" no interior da Terra Indígena Vale do Javari.

O Povo Korubo são falantes de uma língua da família pano, e tem como referências territoriais as regiões às margens do médio rio Itaquaí, rio Branco (afluente do rio Itaquaí), rio Coari (afluente do rio Ituí e igarapé Coarizinho (afluente do rio Coari). Segundo Bernardo Vargas: "…Constituem atualmente grupos locais que apresentam diferentes níveis de interação com a sociedade nacional, desde situações de isolamento até relações de contato permanente."

Principais aspectos

Localização: Zonas de confluência dos rios Ituí e Itaquaí, movimentando-se entre os rios Ituí, Coari e Branco.

Líder: Mayá Korubo, Xishu Korubo.

Idioma: Idioma ainda não classificado, provavelmente oriunda da família Pano. Compreendem as línguas dos Matis e dos Mayoruna.

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Mayoruna

O Povo Mayoruna se autodenomina Matsés e vive na bacia do Javari, rio que em quase toda sua extensão constitui a fronteira Brasil-Peru. Embora habitem ambos os lados das fronteiras nacionais, no Brasil a maioria da população está distribuída entre 11 aldeias na Terra Indígena Vale do Javari. Esse povo caracteriza-se como a maior população nessa região, com cerca de 2.226 pessoas (Fonte: SIASI local).

A palavra Matsés é polissêmica. Pode designar o povo que conhecemos por este nome, por oposição a outros (esses chamados de maiu ou matsés utsi); qualquer povo indígena, por oposição aos não-indígenas (estes chamados chotac); ou “gente”, por oposição a outros seres. Matsés pode significar ainda o grupo de co-residentes ou os parentes mais próximos do falante, bem como se referir ao conjunto dos tios maternos e maridos das tias paternas (nesse caso, precedida pela partícula cun, que indica posse). Mayoruna é um termo de origem quechua (mayu = rio; runa = gente), usado a partir do século XVII por colonizadores e missionários para se referirem a grupos que habitavam a região do baixo Ucayali, alto Solimões e Javari (Erikson, 1992).

Principais aspectos

Localização: Fronteira Brasil-Peru, ao longo do Rio Javari, no extremo-oeste da Amazônia brasileira.

Líder: Waki Mayoruna

Idioma: Representam o ramo mais setentrional da família etnolinguística Pano. Mayoruna é um termo de origem quechua que significa "gente do rio" (mayu = rio; runa = gente).

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Tsohom Dyapá

Essa etnia habita as regiões do alto rio Jutaí e adjacências dos rios Jandiatuba e Curuena, na parte noroeste da Terra Indígena Vale do Javari. Na língua falada por essa etnia, da família katukina, Tsohom significa Tucano e Dyapá algo relacionado "gente" ou "povo", ou seja, "povo tucano". Vale ressaltar que essa etnia fala um idioma muito próximo ao falado pelos Kanamary, que pertence ao mesmo tronco linguístico. O povo Tsohom-Dyapá é considerado pela FUNAI (o órgão indigenista oficial no Brasil) como de "recente contato". Trata-se de um parâmetro previsto na atual política indigenista do estado, que estabelece um entendimento de que um povo que já tenha passado pelo contato com integrantes da sociedade nacional ou até mesmo com indígenas que já mantém um alto grau de contato com a sociedade envolvente, mas que ainda mantém a decisão de não contato direto com o mundo externo, são "classificados" nessa categoria. Essa é uma das principais características do povo Tsohom-Dyapá, que prefere se manter no alto rio Jutaí, ao invés de estar em constantes idas e vindas para as cidades vizinhas à terra indígena.

Ao que tudo indica, o contato desse povo com não indígenas aconteceu de forma intermitente desde a década de 60, relacionado às atuações das chamadas frentes econômicas da borracha, da madeira e com as equipes da Petrobrás, nos anos oitenta. Mesmo assim, preferiram se manter nas suas aldeias. A partir de 2005 tomaram a decisão de permanecer na mesma aldeia dos Kanamary, como uma estratégia tanto para enfrentar as adversidades com as constantes ameaças dos invasores de suas terras quanto para terem acesso a produtos industrializados com os Kanamary. Atualmente, habitam a aldeia Jarinal, localizada às margens do alto rio Jutaí, nos limites a oeste da Terra Indígena, interrompendo o ciclo nômade que caracteriza sua forma de ocupação territorial.

Principais aspectos

Localização: Interflúvio do Jutaí e do Jadiatuba, principalmente no entorno do Rio Curuena.

Líder: Aroh Dyomwük Dyapah

Idioma: Língua próxima a da família Katukina, semelhante às dos Kanamary e Katukina do Rio Biá.

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Kulina

Essa etnia é a quinta população indígena em relação as demais que habitam o Vale do Javari, são 175 pessoas (segundo o SIASI/local) divididas em três aldeias: Aldeia Campinas (que está localizada fora dos perímetros da Terra Indígena), Pedro Lopes e aldeia do Cacau. São falantes de uma língua da família Pano e é o que os diferencia dos outros Kulina do rio Juruá, também conhecidos de "Madiha", que falam uma língua da família Arawá.

O território dos Kulina no Vale do Javari abrange as áreas do médio rio Curuçá e seus afluentes, os igarapés Esperança, Todos os Santos e São Salvador, embora tenham habitado um território bem mais abrangente, na época em que viviam "isolados", que ia das cabeceiras dos afluentes do rio Ituí, como os rio Novo e Negro até as cabeceiras dos afluentes do rio Curuçá, dentre os quais o rio Arrojo.

O povo Kulina Pano, segundo os etnógrafos que já estudaram sua história, é o resultado da união de dois grupos: os da maloca do Mawí, que ocupavam o igarapé são Salvador e os dos Kapishtana do Igarapé Pedro Lopes. Apesar dessa união ter sido marcada por conflitos interétnicos. foi uma das estratégias encontradas pelo grupo para sobreviverem dos constantes ataques dos Mayoruna (Matsés) em meados das décadas de 60 e 70. Os conflitos com o povo Mayoruna causaram uma grande fragilidade a essa etnia, dentre as quais a diminuição demográfica, resultando na dispersão dos sobreviventes para locais estranhos aos seus territórios ancestrais como nas cidades de Atalaia do Norte, Benjamin Constant e Tabatinga. Dos poucos "mais velhos" que restaram dessa etnia residem na cidade de Tabatinga. Essas mudanças causaram um alto grau de miscigenação entre os Kulina, tanto entre indígenas de outras etnias (como os Mayoruna) quanto entre não indigenas. Um dos problemas é a quase perda do idioma Kulina, falado por alguns poucos moradores do médio rio Curuçá. O mais curioso é que a maior parte da população Kulina vive nas aldeias dos Mayoruna, pois na maioria dos conflitos entre esses dois povos as mulheres eram capturadas, bem como algumas crianças.

Principais aspectos

Localização: Fronteira Brasil-Peru, às margens dos rios Juruá e Purus, no Acre.

Líder: Adalto Kulina, Artemio Kulina.

Idioma: Família linguística Pano. Os que têm contato com os seringueiros também falam o português. Mulheres possuem um dialeto próprio que os maridos compreendem.

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Povos Isolados

O conceito "Povos Isolados" se refere ao nível da intensidade do relacionamento que alguns grupos indígenas mantêm com instituições ou agentes do Estado e com outros setores da sociedade nacional majoritária, também denominada "sociedade ocidental envolvente", ou simplesmente "sociedade dominante". O isolamento de povos indígenas pode ser interpretado, atualmente, como uma estratégia de sobrevivência na qual alguns grupos, atuando de maneira extremamente autônoma, fazem a escolha de não manter relações permanentes com outros povos já contatados ou setores da sociedade majoritária. Ao fazer esta escolha se tornam fundamentalmente livres, na qual suas decisões são tomadas de forma a manter sua autonomia. Geralmente a opção destes grupos pelo isolamento é resultado de memórias recentes ou antigas do brutal processo colonizador. O Vale do Javari é uma das poucas regiões do mundo onde vivem diversos grupos em isolamento voluntário. São povos dos quais não se sabe muitas informações, salvo exceção imagens de relatórios, de expedições e monitoramento aéreo realizados pelo Órgão Indigenista oficial, que é a FUNAI. Desde 1987 não se faz mais contatos com indígenas isolados a pretexto de os inserir na sociedade nacional, como acontecia antes da constituição de 1988, situação essa que é o último recurso a ser adotado em situações extremas, quando as circunstâncias possam oferecer risco à integridade física, cultural e territorial dos "isolados", ou nas situações onde seja de iniciativa do próprio grupo.

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