Marubo

O Povo Marubo habita as sub-regiões do alto e médio rio Ituí e alto e médio rio Curuçá, no Vale do Javari. Falantes da língua pano são considerados a segunda maior população dessa região, com cerca de 1.905 indivíduos (SIASI local). O Marubo se distingue das demais etnias pelos adereços que utiliza. Os homens e as mulheres utilizam um cordão, de várias voltas, o qual é feito de caramujo (Aruá), uma cinta larga confeccionada por pequenas placas de caramujo e/ou por placas minúsculas de semente de palmeiras da região, que variam entre o cocão, jarina ou pupunha. Homens e mulheres utilizam, também, um cordão atravessado de um lado a outro do nariz (septo nasal), confeccionado com placas minúsculas de caramujo (Aruá). O formato da aldeia é outro diferencial em relação às demais etnias. A principal habitação consiste no local onde as famílias permanecem abrigadas quase todos os dias, e contam ainda com pequenas habitações individuais localizadas nas adjacências da maloca principal. 

O povo Marubo caracteriza-se como uma das etnias que mais criou dinâmicas de contato com a sociedade nacional. Embora tenham se destacado pela busca e consumo de bens industrializados não se distanciaram de seus costumes ancestrais, e mantém vivos e resguardados seus modos de cultura e organização social. Há registros, como o mapa etno-histórico dos índios do Brasil de Curt Nimuendajú (1944), que inexplicavelmente remanesce inédito, de ocorrências nas quais os indígenas Marubo já mantinham contato com os peruanos em 1691, no período do Caucho, o qual precede o denominado “período da borracha”. O fato mais curioso nas relações entre os Marubo e os não indígenas consiste no relato que, mesmo após quatro décadas de contacto com peruanos e brasileiros, produzindo sobretudo o caucho para a troca por produtos industrializados, os Marubo voltaram à condição de índios isolados. Conforme registros, assim permaneceram por cerca de duas décadas, quando em 1952 fizeram novo contato com missionários na região do alto Ituí.

Principais aspectos

Localização: Alto Curuçá e Ituí, na Bacia do Javari.

Líder: Niwa-Wani

Idioma: Língua da família Pano. Possuem um vocabulário paralelo ritualístico que substitui palavras do uso cotidiano. A maioria dos homens mais jovens falam também o português.

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